Prometeu é um titã que deu aos homens o conhecimento tecnológico, a ciência e a escrita. Foi ele também quem roubou o fogo dos céus e deu aos homens, despertando a fúria de Zeus. Prometeu tem esse nome porque, segundo a lenda, consegue se antecipar aos acontecimentos - prometeu em grego quer dizer aquele que vê antes. Imagine agora se Prometeu descesse ao Delphos e fumasse uma daquelas ervinhas que as sacerdotisas de Apolo usam para entrar em transe. O resultado seria... A Viagem de Prometeu...
domingo, 30 de janeiro de 2011
Mortes Secas
sábado, 29 de janeiro de 2011
Um Conto da Carochinha (Capítulo I - Continuação)
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Um Conto da Carochinha - Capítulo I (nova versão)
Eis que para-se o tempo, um estrondo se houve e das nuvens como uma flecha surge algo que cai do céu. Quica no mar como uma pedra atirada ao lago e para à beira da praia. Envolto de poeira e mistério, surge a silhueta de um homem. Mas não um homem qualquer. Aparentando ter uns três ou três metros e meio de altura. Seus músculos são tão bem trabalhados que parecem esculpidos pelas mãos de algum mestre de arte. Os olhos são de um azul tão intenso que parecem refletir o próprio céu. Seu cabelo encaracolado é de um dourado tão puro que se poderia dizer que são fios de ouro. Traz à cabeça um elmo e à mão direita um cetro de platina. Ao longo do cetro duas cobras enroladas exalam um aroma capaz de curar o mais desgraçado dos leprosos com um simples tocar. Uma túnica tão alva que parece feita de nuvens lhe cobre metade do tronco e lhe tapa as vergonhas. Um dos pés descalços - uma de suas sandálias aladas soltara-se na queda.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
A rua
Sem pássaro, sem nuvens e se opções, passei a olhar a rua. É interessante observar um espaço público. É possível ver de tudo. Uma grávida com um bebê de colo, segurando uma criança com a outra mão - e mais uma acompanhando-a de perto. E a gente se pergunta - e o controle de natalidade, quer dizer, proibir - ou "convencer" os pobres que eles não devem ter filhos, para que o estado tenha menos gastos (ou menos desculpas para justificar gastos que se são feitos, com os pobres que não o são), para que se tenham menos programas sociais, para que o Estado gaste mais dinheiro financiando grandes empresas a fundos perdidos, para que os ricos possam ter apenas um ou dois filhos que estudarão de graça em uma universidade pública, assim pode sobrar mais dinheiro para manter elevado o padrão de vida, porque terão menos gastos como a licença maternidade dada àquela moça - pela sexta ou sétima vez. Ufa... Certa vez uma professora explicou-me um trabalho no qual ela estudava algumas pessoas aqui de Salvador que conseguiram cidadania e inclusão social - entenda-se atenção-do-governo - simplesmente se contaminando com CIDA. ("se"em próclise, como na oralidade, para dar ênfase ao reflexivo do pronome - a ação partiu voluntariamente do sujeito). Porque essas coisas não me surpreendem mais...
domingo, 16 de janeiro de 2011
O Estardalhaço

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Rupestre
Seria uma cena corriqueira, quase que um fato natural, desses que se vê todos os dias em um desses canais de TV fechada, se não fosse um detalhe: aqueles animais, que se destacam na paisagem por terem suas cabeças acima da linha da vegetação, levam em suas patas coisas que não parecem naturais. São madeira e crina, e sisal; e ossos. Mas não têm a forma que a natureza lhes deu originalmente. Dentes de peixes e caninos fora de bocas; madeira curva em vez de reta; com tripas em vez de folhas. Definitivamente aquilo não é natural. Fora cosido ao fogo, trançado, atado, amarrado. Pontas afiadas por milhões de anos de seleção natural se confundem com pedras toscas, trabalhadas por algumas horas de lapidação.
Na orla de um pequeno lago um grupo de cervos está. Mamãe cervo dá leite aos seus filhos. Papai cervo com suas galhas exuberantes vigia a retaguarda do grupo. Porém nem seus olhos atentos ou seu ouvido ultra-sensível é capaz de perceber o bando de bestas que se aproximam pelo flanco esquerdo, onde a camuflagem feita de sangue, sementes e carvão se confunde com a vegetação densa.
Pressentindo o perigo, o líder do grupo faz sinal para que os demais se apressem. Afinal, um lago é uma zona de concentração. Muitos animais vão ali para beber água. E nem todos são inofensivos comedores de arbustos.
O grupo se prepara para seguir viagem. Papai cervo se aproxima dos seus. Como um bloco, ou um exército, todos os membros se movem para no sentido de estabelecer uma formação coesa, deixando as fêmeas e filhotes no centro, os machos mais vigorosos nos flancos e os mais velhos e fracos atrás para que, em caso de necessidade, façam o derradeiro sacrifício em nome da sobrevivência do grupo.
Assim que estão todos prontos para partir, tendo às suas frentes a imensidão do mundo e às costas a beleza do sol a cair no lago, um raio atravessa o ar, zunindo. Um grunhindo agudo, vazio. Mais uma alma que escapa de um corpo do que o ar a move-se pela boca, o som da morte irrompe naquele momento familiar. Assustados, sem nada entender, fêmeas e filhotes são atordoados pela imagem do líder morto diante de seus pés. Sem liderança não sabem para onde correr. O inimigo está à frente. Não, à esquerda. Está por todos os lados. Um barulho ensurdecedor, um misto de grito, grunhido e gemido. Algo indescritível. Se conhecessem um deus, diriam os cervos se tratar dos próprios demônios a prenunciar o fim de tudo.
O grupo sem líder é uma turba ensandecida. Sem direção, travados pelas árvores de longas raízes que do lago sobrevivem de um lado; à frente têm corpos caídos e sem vida; acuados por uma saraivada de flechas malditas que matam aos que tocam.
Correm sem nem mais saber por quê. Correm por suas vidas. Correm por sobrevivência. Correm para o único lugar que podem. Correm para o por do Sol. Correm para a morte. Correm até suas patas não tocar mais o chão e suas narinas não mais tocar o ar. Mortos os velhos pisoteados, as mães vêm seus filhos afundar nas águas. Desesperadas, desejam a morte. Prontamente o pedido é atendido por famintos seres lacustres. Crocodilos e piranhas, atraídos pela agitação da água, cumprem a árdua tarefa da selvagem natureza em preservar o mundo para os mais aptos.
O Sol se põe com a vida daqueles cervos e o bando de bestas vai regozijar-se da boa caça. Recolhem o que podem carregar e deixam o resto para o ciclo da vida transformar em novos seres. Satisfeitos, recolhem-se ao aconchego de uma rocha, ainda quente pelo Sol. Partilham o fruto. Os mais fortes ficam com as partes mais gordurosas e nutritivas. Os filhotes apenas podem comer língua, testículos e vísceras, se as fêmeas não o fizerem.
Pouco a pouco a comida se acaba. O fogo se esvai. Amontoados, as bestas aproveitam o calor da rocha para aconchegar-se no seio da terra. A noite avança e os bichos dormem.
