sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A louca estória de João da Fita e seu estranho cachorrinho indiano



A louca estória de João da Fita e seu estranho cachorrinho indiano

João da Fita era um jovem universitário estudante de biblioteconomia. O motivo de ser ele discente de um curso tão pouco lembrado pelos filhos da classe dominante na hora da inscrição do vestibular são muitos, mas o principal é justamente o fato de ser esse curso tão pouco lembrado no momento da inscrição no vestibular.
Seu nome – João – já foi título de profetas, imperadores e papas; Vem do latim Ioannes, Que vem do grego Ióannis, Que vem do hebraico Yôhanan, Que era um apelido desses que se dá às pessoas que têm nomes complexos como Yehohanan. O 'da Fita' por sua vez já não se podia precisar a origem; Não se sabe se fora fruto de uma imaginação fértil de algum garoto de doze anos; Ou se era pelo fato de ser João um ser tão emburrado que quando sorria invariavelmente as pessoas achavam que ele estava chupando limão. E se esse for o real motivo de seu apelido, ainda assim não se pode imaginar em qualquer dimensão viável uma relação realmente conexa entre uma coisa e outra.
Valeria ainda acrescentar que João da Fita frequentava seu curso na Universidade Federal – se isso de fato conotasse algo de significante; um leitor mais antenado no mercado de capital-pia, petróleo-banheira e educação-privada, saberia com certeza que curso de tamanha importância nas mais letradas e desenvolvidas culturas, apenas poder ser cursado em uma universidade pública - no Brasil.
Jão, ou Jôu – outros nomes pelos quais também era conhecido – passava por uma fase da vida em que questionava-se sobre muitos porquês de seus arredores; Por exemplo, gostaria de entender porque a guarda pretorial da Bahia era tão prestativa e atenciosa às margens do mar da Barra, mas em sua rua sem asfalto no bairro do Uruguai, só apareciam de tempos em tempos para retirar um eventual cadáver (sendo que alguns nem mesmo mortos estavam quando recolhidos). Questionava-se também porque a morte parecia cruel com as boas freiras da televisão, porém tão piedosa com homens de terno que moram em Brasília. Não entendia muita coisa do mundo, é verdade; mas de uma coisa tinha certeza - algo estava redondamente errado, restava descobrir se era com o mundo ou com ele próprio.
João lia todos os tipos de livros e teóricos e filósofos. Já que teria de resignar-se em passar o resto da vida metido em alguma biblioteca municipal aturando o frio sub-tropical de um país esquisito (sim, João pretendia seguir carreira de bibliotecário após a universidade), ele decidiu ser íntimo dos livros; fez de ler seu ofício – e de guardar o que leu no lugar, sua profissão. Conheceu de tudo um pouco – o idealismo de Platão, a perspicácia de Maquiavel, a indignação de Rousseau; E foi pela leitura também que conheceu o o romantismo de Byron, o pessimismo de Schopenhauer e o simbolismo de Baudelaire. Navegou pelas loucuras de Nietzsche, sentiu como de si próprio o parricídio de Dostoiévski, e só não pirou na batatinha legal porque descobriu a tempo com Einstein que tudo é relativo. Este último inclusive foi tão importante em sua vida que se tornou o marco teórico de seu trabalho de graduação. Tinha certeza que com sua revolucionária Teoria da Relatividade das Estantes Empoeiradas (ou TREE) iria revolucionar a biblioteconomia mundial. Sua ideia era simples: consistia basicamente na ideia de que se tud4o é relativo, então 'tudo' implica que a própria relatividade é relativa; sendo assim, esta passa a ser um estado constante no universo, e se é constante é absoluto;
Essa estória começa exatamente a partir deste ponto, quando João encontra um beco sem saída. Em um momento de suas equações, quanto tentava decompor o vetor Direito em vetores História, Sociologia, Antropologia e Política, percebeu que a derivação coeficiente da Ideologia implicava em um erro interdisciplinar além do esperado. Sendo assim, a integral da Filosofia elevado a enésima potência de Teologia vezes a raiz Semiótica da Literatura jamais poderia resultar em Matemática e toda sua teoria poderia ser comprometida. Ou seja, se tudo é relativo, significa que tudo é absolutamente relativo; ou significa que tudo é relativamente absoluto. Eis a questão.
Meses e meses tentando sair desse paradoxo fizeram pois com que João fosse se afastando dos amigos, perdendo as namoradas e deixando de comparecer aos shows de rock e encontros de Anime. Jão da Fita se viu só, incapaz, deprimido. Não comia, não bebia, não estudava mais. Só lhe interessava saber a real dimensão do absolutismo relativo das coisas.
Sua mãe, preocupada com o estado mental de João, coisa que durava meses a esta altura, procurou um psiquiatra. O doutor tentou explicar à mãe que tudo não passava de um reflexo da idade, que era culpa dos hormônios. Até arriscou diagnosticar uma virose, mas nem assim a mãe se viu satisfeita. Sem alternativas e querendo se ver livre logo da velha, bolou algo: Seu filho precisa é de responsabilidades. Por que a senhora não compra um cachorro para esse rapaz. Quem sabe assim ele não toma jeito.
Algum autor desses escreveu certa vez que o acaso é como D... se manifesta quando quer ficar escondido. Sinceramente, qualquer um pode perceber que essa frase é mera retórica redundânte, pois esse tal de D... apesar de ser adepto das entradas triunfais, nunca foi de aparecer muito para as pessoas. Contudo, dessa vez o caso não é exatamente de uma coincidência, apesar de haver sido de certa forma planejado por uma estranha entidade sobrenatural.
Um amigo da mãe de João da Fita chegou de uma viagem de seis meses pelo subcontinente indiano no mesmo dia que a desolada senhora foi ao psiquiatra informar-se da saúde mental de seu pequenucho. E não é que o dito amigo trouxe consigo um espécime raríssimo de cachorro de uma raça tão rara, mas tão rara, que seu nome em chiakkidhoi - língua falada em uma remota região do Indukush– significa 'raça que não existe'. Seu nome (do cachorro, não do amigo) era Nàbbundh'a.
Nàbbundh'a não era um cachorro qualquer. E não por pertencer a uma raça que não existe, mas porque, segundo a crença na aldeia onde nasceu, Nàbbundh'a era um avatar canino, Mas não um avatar qualquer, e sim a décima quarta reencarnação do cachorro que serviu ao primo de terceiro grau do décimo quarto buda, em sua lendária batalha pela cidade de Shetembruchovi, contra o explorador holandês Peter van Sen Fühder, por volta do ano de mil e seiscentos da era cristã.
A mãe de Jão estava animadíssimna. Esperou o rapaz ir à faculdade e armou-lhe uma surpresa. Foi à casa de seu colega e pegou Nàbbundh'a. Levou o cachorro para casa, mas antes passou no petshop para Nàbbundh'a tomar banho. Perfumou o bichinho, deu-lhe as vacinas e no fim amarrou-lhe uma bela fita vermelha no pescoço. Nàbbundh'a estava uma belezura. O cão ficou feliz e latiu. Lembrava de todas suas existências passadas. E se lembrava-se também que poucas vezes fora tratado com tanto carinho.
***
Usava uma roupa laranja. As pessoas ao seu lado não pareciam com ninguém que ele realmente conhecia, mas isso não fazia muita diferença porque eram tão chatas e pentelhas quanto as que conhecia. Apesar de não sentir o chão sobre seus pés, caminhou por um grande corredor, em uma construção diferente de tudo que já conhecera. De repente parou de andar. Seus pés sentiram o chão. Algo aconteceu. Um homem caminhou em sua direção, puxou uma esponja molhada e passou em sua boca, como que um ritual de purificação. Meio sem entender João permitiu que isso acontecesse. O homem insistiu no gesto. Mais uma vez a esponja úmida esfregou seus lábios. E de novo e de novo. Não entendia. E novamente a esponja lhe passou aos lábios. A cada passagem da esponja seu corpo se sentia mais e mais pesado. De repente o homem largou a esponja dentro do balde. Olhou fixamente para João e … latiu.
João acordou assustado. Ao abrir os olhos viu parado em sua frente aquela pequena criaturinha a lhe olhar. Olhos esbugalhados, pelo macio e rechonchudinho. Ainda era filhote. O estudante estremeceu dos pés a cabeça. De onde surgira o cachorro? Outra ideia sucessivamente lhe veio à cabeça – Por acaso teve o cachorro alguma coisa a ver com a esponja molhada em sua boca.
Aos pouco João começou a compreender a dimensão da coisa. Lembrou-se que seu aniversário estava próximo. Foi então que lhe caiu a ficha: o cachorro era seu! Seria seu amigo, seu companheiro – aquele que iria compartilhar de sua presença sem necessariamente ter de lamentar-se por isso. João ficou feliz. Realmente nunca ninguém o vira assim. Ganhar Nàbbundh'a era tudo que faltava em sua vida.


Continua...

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Ensaio sobre a Beleza

Deus fez os trópicos para que tivessem apenas duas estações: seca e chuva. Deus cuidou para que os animais dessas terras úmidas e ensolaradas acasalassem no frio e se alegrassem no calor. Fez as aves tão coloridas que a paleta de Da Vinci não seria suficiente para pintar todas as penas sequer de uma única arara. Às plantas, deu o Criador a cor, o  sabor e o cheiro que não se encontram em lugar nenhum mais. Fez delas veneno, alimento e beleza. Quanto ao homem - e a mulher - os fez nus. Sobre o corpo vermelho apenas urucum, andá, inapaba. Sob a pele lisa e macia, o espírito guerreiro e a gentileza de um povo sem corrupção - um povo sem governo.
Quisera esse Deus - que não o deus europeu, pois não castiga, não cobra dívidas e não manda invadir terras dos outros, escravizarem outros povos nem ir a casa alheia aos  domingos, pregando uma palavra sabe lá de quem. Esse Deus que é natureza, que é majestoso, responsável não pela guerra, não pelas armas de destruição em massa, mas pelas belas coisas dessa terra chamada América.
Quisera esse Deus não tirasse férias, Que sua palavra fosse maior e mais forte que o deus do velho mundo, Que pune e que ordena, Que empossou e destronou reis, criou estados e direitos penais e sentenças de morte, O deus das cruzadas e das guerras ideológicas, O deus que cria em si mesmo sua própria antagonia e depois separa em fiéis e infiéis aqueles que devem ser mortos, matar e morrer. Quisera nosso Deus americano que seu irmão europeu jamais tivera dado o barco e a vela e a pólvora e a fé aos homens brancos de  olhos azuis. E foi com a força desses quatro elementos - o barco, a vela, a pólvora e a fé, como que num mito moderno, o fogo e o ferro forjaram os alicerces de um novo mundo. Sob o reinado desse novo deus toda a beleza foi condenada e proibida; os corpos nus se  esconderam como se ser homem ou mulher fosse motivo de vergonha; os animais ganharam chifres e cascos e eram sujos e cinzas e traziam consigo a peste. Os pássaros não mais voaram, e um a um, o tié, o sabiá, a arara, a graúna, foram parando de cantar. O urucum e o andá e a inapaba arderam em fornos e engenhos, O velho deus - da cobiça e da ganância - desfez tudo quanto pode que fora criado pelo seu antecessor. No lugar das florestas cresceu um pau doce e afiado do qual não se come nem se tira fruto algum, Desse pau se fez uma terra, de sabor enjoado, que viciou os homens e os fez esquecer como é o gosto das frutas e raízes que o Deus americano deu ao seu povo para matar a fome e a sede. E dessa terra produziu-se muito; e essa produção trouxe de lugares distantes a cobiça dos homens aos quais chamam de espanhóis, ingleses, portugueses e holandeses.
Mas o deus do velho mundo não estava contente com o homem branco, porque ainda que os homens e mulheres americanos não tivessem mais suas florestas, sua nudez, nem o canto de seus pássaros, eles ainda tinha a crença no seu antigo Deus. E essa crença os tornou fortes e valentes e perseverantes.
Então o velho deus percebeu que beleza que dantes habitava os rios, os peixes, as aves e o pôr do sol desta terra americana, refugiou-se no espírito oprimido de seu povo. O deus dos europeus então criou tribunais e ordenou aos seus juízes que construíssem fogueiras por toda a Terra, onde mulheres de seu próprio rebanho foram sacrificadas em louvação ao seu nome. Com a força do sangue e da carne queimadas, e do sofrimento e da perseguição e do medo das mulheres, o velho tirano ordenou que o homem branco fosse ao novo mundo e colonizasse a terra, as plantações e a alma dos homens e mulheres que lá encontrasse.
Então o homem branco partiu em suas grandes canoas e cumpriu a palavra do velho deus. E a liberdade do povo americano foi tirada; e suas terras foram chamadas de sesmarias, e capitanias, e vilas, e cidades; os homens foram mortos; as mulheres, violentadas - e mortas. Os povos foram um a um amansados, e catequizados, doutrinados. Um a um os corações do novo mundo foram sendo destruídos, e em seu lugar os homens e mulheres da terra chamada América passaram a ter sob seus peitos a fé no velho deus europeu.
O massacre não foi suficiente e os homens e mulheres do nosso mundo resistiram. Fizeram do holandês,do português e do espanhol seu alimento. Apoderaram-se de sua belicidade. Foram à guerra, à resistência. E o velho deus europeu deliciou-se ao ver seu próprio rebanho padecer pelas flechas e cacetes e veneno do povo valente de pele vermelha. Mas o senhor logo percebeu que toda a guerra, e toda a violência, e toda a resistência não eram em seu nome, nem por conquistas, nem por dinheiro, mas em nome de um mundo que se recusou a morrer. Um mundo que não foi feito de sangue, de individualidade ou de cobiça.
Mais uma vez o deus velho descontentou-se com o homem branco. Apesar de toda a guerra e toda a raiva e toda a discórdia, os povos americanos não esmaeceram em seus propósitos. O senhor da guerra percebeu então que apesar de ter contaminado o coração dos homens e mulheres americanos com o medo e a morte, a beleza conseguiu fugir novamente e se  esconder na união desse povo, que agora lutava junto.
O velho deus entãotomado por fúria lançou sobre os americanos a peste e a praga. Por toda a terra das Américas a doença, a fome e o terror espalhou-se, perseguindo cada ancião, cada mãe, cada guerreiro, cada criança. Os homens já não tiveram mais forças para erguer a borduna; as mulheres não mais teceram; os xamãs não encontraram em suas plantas resposta à praga que o deus enviara de outras terras; O homem branco prevaleceu sobre o chão do novo mundo .Nações inteiras foram dizimadas. Impérios. Línguas foram esquecidas. Livros queimados em fogueiras que arderam por dias. Medicina e astronomia de milênios perdida em décadas; Toda a memória de um povo - ou melhor, vários povos - reduzida a mero folclore. Onde antes se soerguiam observatórios astronômicos, pirâmides e estádios desportivos, o homem branco ergueu seus templos de louvor ao seu deus de olhos azuis. O homem e a mulher antes dono da terra e da comida e da água e dos deuses deste lugar, não
restaram donos nem mesmo de sua liberdade. Por ordem do velho deus, os filhos da terra sobreviventes foram violentados, escravizados, catequizado; todos os sonhos americanos enfim, fora colonizados.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

E-mail assinado por Luiz Fernando Veríssimo sobre o Big Brother

Recebi este e-mail hoje, assinado como Luiz Fernando Veríssimo. Como é um e-mail público resolvi postar no blog; Se o autor vir e quiser manda tirar ou se não foi ele que escreveu (imagine Luiz Fernando Veríssimo entrando eu meu blog!!! kkkk)e quiser que tire o nome dele, é só me mandar um e-mail.



BIG BROTHER BRASIL

(Luiz Fernando
Veríssimo)

Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil
(BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas
conseguimos chegar ao fundo do
poço... A décima primeira (está indo longe!) edição do
BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser
difícil,... encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho
atentado à nossa
modesta inteligência.

Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo
conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu
povo,
principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema
banalização do sexo. Impossível assistir, ver este programa ao lado dos
filhos. Gays, lésbicas, heteros... todos, na mesma casa, a casa dos
“heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra
gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao
vivo na TV, seja entre
homossexuais ou heterosexuais. O BBB é a
realidade em busca do IBOPE...

Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB. Ele prometeu um
“zoológico
humano divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na
sua
mistura de clichês e figuras típicas.

Pergunto-me, por exemplo, como um
jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se
justiça, cobriu a
Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa
desse nível.
Em
um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem
sobre a perda
do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo.
Eu gostaria de
perguntar, se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de
valores e
princípios, da moral, da ética e da dignidade.

Outro dia, durante o
intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do
BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big
Brother tem
um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo?
Heróis?

São esses nossos exemplos de heróis?

Caminho
árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros:
profissionais
da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores),
carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que,
diariamente, passam
horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor,
quase sempre mal remunerados..

Heróis, são milhares de brasileiros que
sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir e
conseguem
sobreviver a isso, todo santo dia.

Heróis, são crianças e adultos
que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de
ter
uma vida mais saudável e digna.

Heróis, são aqueles que, apesar de
ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis
reais para
alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada, meses atrás
pela
própria Rede Globo.

O Big Brother Brasil não é um programa
cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos
intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há
qualquer outro
estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à
criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e
moral.

E ai
vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o
comportamento
humano". Ah, tenha dó!!!

Veja o que está por tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do
BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e
nove
milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a
trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e
setecentos mil
reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada
paredão.

Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada
a programas de
inclusão social: moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos
brasileiros?

(Poderiam ser feitas mais de 520 casas populares; ou comprar mais de
5.000
computadores!)

Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de
vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de
telespectadores.

Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de
Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema...,
estudar... , ouvir
boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um
amigo... , visitar os
avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou
simplesmente
dormir.

Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o
que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa
sociedade.

Luiz
Fernando Veríssimo