Um tanto quanto confuso, angustiado, perdido pelo tempo louco desse mundo insano e virtual, estava em um jardim público - um desses lugares onde se cultivam ladrões e de vez em quando topamos com alguma planta. Pensava com algumas nuvens, como esse mundo desequilibrado nos torna coisas.... coisas cada vez mais pequenas, insignificantes e substituíveis. E pensava também sobre como o mundo consegue fazer justamente nos convencendo do contrário - de que somos indivíduos, que nossa individualidade é mais importante que tudo e que a verdadeira liberdade é poder escolher - mesmo que essa escolha fique limitada apenas àquela opção que o mundo te dá: ou seja - somos livres para escolher, mas não nos dão opção.
Um pássaro - na verdade um filhote - em rompante caiu em mim, Pobrezinho... estava a aprender a voar... e não passou na prova da seleção natural. Isso, por um momento, desviou minha atenção sobre o que divagava. Fiquei atônito. Não é todo dia que se vê algo assim. Um pássaro - que não sabe voar, É como um gato que não cai em pé ou um cachorro que não esconde o osso. É diferente. É assustador, Pois nos lembra que a natureza tem das suas surpresas e das suas imprevisibilidades, e que por mais segurança e mais direito que tenhamos, pode a natureza desfazer de tudo que conhecemos em um piscar de olhos.
Nossos pensamentos são uma coisa curiosa. É como uma reação química. Um reagente encontra o outro, A reação começa, Um novo produto se forma, A coisa toda aumenta a velocidade, Surge um catalizador, A reação acelera, Quando percebemos tudo que era ácido e base passa a ser água e sal e ... pinba. A natureza é transformada. Mas não deixa de ser natureza... jamais. E assim é o pensamento. Muda, se transforma, interpreta e se reinterpreta e reconstrói-se a cada interpretação nova... mas se o pensamento é de ácido e de base, jamais será outra coisa senão água e sal.
Passado os átomos do pássaro que finalmente voara, as nuvens não estavam mais em seu lugar. Roubaram as nuvens, pensei. Não é possível - roubam-se humanos, roubam-se vidas, roubam-se sonhos... e agora roubam-se as nuvens. Até as nuvens. Elas, que são feitas de algodão e se desmancham ao tocar. Elas que de tão frias embranquecem o chão quando o tocam e nascem a plantas quando chovem;
Sem pássaro, sem nuvens e se opções, passei a olhar a rua. É interessante observar um espaço público. É possível ver de tudo. Uma grávida com um bebê de colo, segurando uma criança com a outra mão - e mais uma acompanhando-a de perto. E a gente se pergunta - e o controle de natalidade, quer dizer, proibir - ou "convencer" os pobres que eles não devem ter filhos, para que o estado tenha menos gastos (ou menos desculpas para justificar gastos que se são feitos, com os pobres que não o são), para que se tenham menos programas sociais, para que o Estado gaste mais dinheiro financiando grandes empresas a fundos perdidos, para que os ricos possam ter apenas um ou dois filhos que estudarão de graça em uma universidade pública, assim pode sobrar mais dinheiro para manter elevado o padrão de vida, porque terão menos gastos como a licença maternidade dada àquela moça - pela sexta ou sétima vez. Ufa... Certa vez uma professora explicou-me um trabalho no qual ela estudava algumas pessoas aqui de Salvador que conseguiram cidadania e inclusão social - entenda-se atenção-do-governo - simplesmente se contaminando com CIDA. ("se"em próclise, como na oralidade, para dar ênfase ao reflexivo do pronome - a ação partiu voluntariamente do sujeito). Porque essas coisas não me surpreendem mais...
Sem pássaro, sem nuvens e se opções, passei a olhar a rua. É interessante observar um espaço público. É possível ver de tudo. Uma grávida com um bebê de colo, segurando uma criança com a outra mão - e mais uma acompanhando-a de perto. E a gente se pergunta - e o controle de natalidade, quer dizer, proibir - ou "convencer" os pobres que eles não devem ter filhos, para que o estado tenha menos gastos (ou menos desculpas para justificar gastos que se são feitos, com os pobres que não o são), para que se tenham menos programas sociais, para que o Estado gaste mais dinheiro financiando grandes empresas a fundos perdidos, para que os ricos possam ter apenas um ou dois filhos que estudarão de graça em uma universidade pública, assim pode sobrar mais dinheiro para manter elevado o padrão de vida, porque terão menos gastos como a licença maternidade dada àquela moça - pela sexta ou sétima vez. Ufa... Certa vez uma professora explicou-me um trabalho no qual ela estudava algumas pessoas aqui de Salvador que conseguiram cidadania e inclusão social - entenda-se atenção-do-governo - simplesmente se contaminando com CIDA. ("se"em próclise, como na oralidade, para dar ênfase ao reflexivo do pronome - a ação partiu voluntariamente do sujeito). Porque essas coisas não me surpreendem mais...
Ainda parado no jardim a observar a rua, me dei conta de como as pessoas andam apressadas, enraivadas, estressadas. Um sinal latente da loucura coletiva em que nós nos metemos. A essa loucura um tal inglês de nome que não me recordo agora chamou de Contrato Social. Pode imaginar uma coisa dessas: um monte de gente junta vivendo em completa baderna. Um dia acordam. É um dia de verão - claro, porque as pessoas na Europa, sobretudo nessas épocas míticas sem tecnologia, provavelmente não tenham muito ânimo para sair aí às ruas, a deliberar inventar novas formas de governo. Um dia esses tais europeus saem às ruas - olha a importância das ruas - e dizem: "ó monarca, governe-nos. Seja nosso líder. Nós prometemos viver em paz e harmonia - e você promete nos guiar pelos augúrios de um mundo cão, sendo nosso senhor e nosso mestre sábio e justo". Realmente, alguém acredita nisso.
Ainda olhando lembrei de um outro rapaz, cujo o nome não me lembro também. Mas por ser francês aposto que se chama Jean. Todos os países têm lá seus nomes comuns e representativos. Como Portugal tem seus Manés e o Maranhão seus Ribamares, a França tem lá seus Jeans e seus Jaques. Seja Jean ou Jaques, russo sei que não era, pois era francês - e disso tenho certeza. Esse era dos meus camaradas, pois ele disse uma coisa interessante: "ninguém percebe a loucura que é esse negócio de propriedade, um dia alguém disse 'Éssa é minha propriedade' e os demais aceitaram." Pois digo a mesma coisa - ninguém percebe, um dia disseram 'Esses são meus seres humanos', O que fizemos: assinamos um contrato. Quer dizer, eu mesmo não assinei nada, nem o senhor Paulo Maluf. Quem mostrar nossas assinaturas nesse tal de Contrato Social, está mentido. São assinaturas falsas.
Incrível pensar que tudo isso - toda essa reflexão - surgiu de uma tarde olhando a rua. Uma simples via, que pode ser a minha, que pode ser a sua - ou a de qualquer um. Entristece apenas a alma do cantor apaixonado que todas as reflexões sobre sua amada -os cabelos brilhosos e olhar petrificante de medusa, a pele tão macia, de pêssego, de seda, e cheiro de beleza que transmite o a ternura da mais bela flor do mais formoso pé de maracujá que se encontra no cerrado - todas essas constatações são inúteis - pois não são científicas. O amor, tal como a rua, não é uma fonte fidedigna.
Profundo seus pensamentos ...!!
ResponderExcluireu diria que alguns comentarios são triste e extremamente realista ...